Supercordas - Seres Verdes ao Redor (2006)

“Rock” - disse o primeiro sapo do primeiro brejo da primeira versão do universo ao segundo, seu irmão, enrolando a língua e percebendo a intensidade do horizonte refletido em seus olhos tapados. Seres Verdes ao Redor: Música para Samambaias, Animais Rastejantes e Anfíbios Marcianos procura emular musicalmente este nobre momento. O álbum tem cheiro de terra molhada e de lama do manguezal, mas conta com elementos musicais tão diversos quanto theremins, serrotes arqueados, violas caipiras, gambás andando no forro da casa e mridangas indianas. É música pop clorofilada. Sapos coachando num brejo psicodélico.
Seres Verdes ao Redor é o primeiro álbum oficial do Supercordas, resultado de um processo de conquistas que remonta a 2003, quando a banda trocou as vielas de Paraty pelo caótico Rio de Janeiro e lançaram seu primeiro registro, o CD-R A Pior das Alergias (Midsummer Madness). Dois anos depois, sacaram que a onda era espalhar seus tentáculos pela Internet e lançaram, virtualmente, o EP Satélites no Bar.

Desde então, entraram num redemoinho de acontecimentos: se apresentaram em diversas casas no Rio e em São Paulo, e viajaram a Brasília (Super Noites Senhor F) e Goiânia (Festival Bananada); foram apontados pela revista Bizz como um dos “13 nomes que realmente importam no novo rock”; e participaram do concurso No Capricho, promovido pela Tramavirtual e revista Capricho. Aí, ganharam 36 horas nos mega-modernos estúdios da Trama, onde gravaram parte das canções que estão em Seres Verdes ao Redor.

O álbum foi elogiado pelas principais publicações musicais brasileiras como a Rolling Stone, a Bizz, e os jornais O Globo, Folha de São Paulo, Correio Braziliense, Diário Catarinense e Diário do Pará. Atualmente os Supercordas apareceram na MTV e no programa Tramavirtual, do Multishow; Mais shows estão por vir e a mais recente notícia foi a apresentação no CCBB de São Paulo com participação de Fernanda Takai (do Pato Fu). O Supercordas é formado por partículas de caos, que atendem pelos nomes de Bonifrate, Valentino, Giraknob e Wakaplot.


Seres Verdes ao Redor (2006)

1. O sol brilhou sobre o verde
2. A charneca
3. Ruradélica
4. 3.000 folhas
5. Mofo
6. Sobre o frio
7. Ricochete
8. Musgo
9. Frog rock
10. Sobre o calor
11. Mangue
12. Fotossíntese
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Ruradélica (Single, 2006)

1. Ruradélica
2. 3000 folhas
3. Ricochete

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Satélites no Bar (2004)

1. Da órbita de um sugador
2. Satélites no bar
3. Supercordas
4. O céu que você vê
5. O perspicillum
6. A Terra da T.V. (incluindo Uma fantástica epopéia psicotrópica)

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A Pior das Alergias (2003)

[ Capa ]

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Fellini - Posta-Restante (2007)

Impossível não escapar do clichê: a banda Fellini está presenteando seus fãs neste final de ano. Um de seus integrantes, o jornalista e músico Thomas Pappon, resolveu tornar público material inédito gravado entre os anos 80 e 90. Detalhe mais importante: tudo de graça, cortesia My Space.
A idéia de se colocar tudo na web foi decidida da maneira mais democrática possível. O projeto inicial (que não teve seqüência) era lançar esse material em CD. Thomas consultou os integrantes da comunidade dedicada ao Fellini no orkut a fim de saber qual o melhor formato para se divulgar as músicas. A opção pela internet ganhou força e não demorou até que o martelo fosse batido.

O acervo mantido por Thomas em seu hard disk tem preciosidades de qualquer tipo: gravações ao vivo, sobras dos álbuns oficiais e registros de ensaios. O músico pretende efetuar atualizações semanais. Acompanha cada faixa um textinho explicativo situando em quais circunstâncias o registro ocorreu, histórias de bastidores, além da transcrição completa (ou quase) da letra em questão. O site tem o nome-fantasia de "Posta Restante".

Ao contrário do que se possa imaginar, as músicas têm grandes qualidades, independentemente das condições técnicas. A faixa escolhida para a estréia, "A Melhor Coisa Que Eu Fiz", estava prevista para entrar no álbum 3 Lugares Diferentes, mas foi deixada de lado. Uma decisão discutível, pois tinha potencial para ser um hit. Para quem gosta de comparações, a trama de guitarras lembra demais Sonic Youth em seus bons tempos "noise".

Outra das faixas incluídas é "Por Toda Parte", música inédita até agora. Ela fez parte do repertório composto para o álbum Amor Louco. É mais um daqueles "sambas malucos" característicos do Fellini. Certa vez, procuraram saber de Steve Severin, do Siouxie and The Banshees, sua opinião acerca do rock brasileiro. Ele tinha vindo com sua banda ao país para uma série de apresentações em 1986. O baixista achou que tudo era uma cópia do que se fazia no exterior e perguntou se não tinha nenhuma banda fazendo "psycho-samba". Eis a resposta, ainda que com certo atraso.

Um grande lance proporcionado por "Posta Restante" é integração de dois dos sites mais populares da web: o My Space e o orkut. Enquanto as músicas são disponibilizadas no primeiro, as impressões dos fãs e ouvintes a respeito das mesmas são registradas no segundo. Um ótimo estudo de caso para os teóricos da mídia digital.

(Por Rodnilson Junior na Rock Press)


Posta-Restante (Bootleg)
1. A Melhor Coisa Que Eu Fiz
2. Por Toda Parte
3. Tudo O Que Eu Sei
4. Sikh
5. Las Drogas
6. Dois Terroristas
7. O Destino
8. Eclipse
9. Asno
10. Massacres da Coletivização (Ao Vivo)
11. Chico Buarque Song
12. Rio Vermelho
13. Árvore da Vida
14. É Chato
15. Quatro Estações
16. É Sério
17. Outro Endereço, Outra Vida
18. Leave Me Alone
[ DL ]

Myspace / MySpace fã / Comunidade Amor Louco (Orkut)


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Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar (2007)

'A Amarga Sinfonia do Superstar': A segunda vinda do Superguidis
(* Marcelo Costa)

Ahhhhh, a juventude. Quando "Superguidis", primeiro álbum do quarteto gaúcho, surgiu na terceira posição do Prêmio Scream & Yell, no ano passado, me surpreendi. Quem são esses guris que estavam impressionando tanta gente? Ouvi o primeiro álbum na seqüência, mas a resposta precisa aconteceu meses depois, no palco do Studio SP, com uma apresentação irrepreensível. A dissonancia das guitarras, a entrega dos vocais, a gestualização rocker do corpo subindo sobre o microfone para cantar canções sobre romances que ocupam a mente, a melhor forma de se passar os anos, falta de dinheiro, bugigangas de camelô dadas como presente e malevolosidades. Um show para lavar a alma.

"A Amarga Sinfonia de Um Superstar" é a segunda vinda dos Guidis. Com produção de Phillipe Seabra (Plebe Rude) e mixagem/masterização de Gustavo e Thomas Dreher, os Guidis evoluem sem deixar para trás suas principais caracteristicas. Seabra gravou um primoroso som de guitarras, que brilhavam já no primeiro álbum, mas pareciam inferiores às apresentações ao vivo. Agora não. Os riffs (em que eles acreditam) estão ali, ao lado da voz, numa sinfonia rock de fazer sonhar. Agora não há, claro, o apelo da novidade do álbum de estréia. E acrescenta-se um pouco da maturidade da vida na estrada – e na mídia.

Essa maturidade recém adquirida em contraponto com a inocência deslavada de antes decepcionou alguns fãs de primeira hora. Bobagem. "A Amarga Sinfonia de Um Superstar" é Superguidis em sua essência. Se os riffs estão mais cristalinos, as letras continuam desbravando o universo juvenil com uma coragem pouco vista no cenário nacional. "Por Entre As Mãos", canção que abre o disco, traz um dos melhores refrões do ano: "Você é o meu melhor naufrágio", canta Andrio com toda a força dos pulmões. Em "Mais Do Que Isso", eles recusam a posição de gênios (indies) prestes a invadir as ondas do rádio com outro ótimo refrão: "Eu quero fazer tudo o que você faz, mais do que isso eu sei que não sou capaz.

A inocência explícita de "A Exclamação", "O Cheiro de Ôleo", "Os Erros Que Ainda Vou Cometer" e "Nunca Vou Saber" (do verso "Já sou velho demais, mas não tão esperto, como eu queria ser"), entre muitas outras, com suas histórias de "bicicletas aro 15, tênis com cheiro de chiclete", são o bastante para nos fazer lembrar desses anos que voam sem parar – e que muitas vezes nem percebemos que se passaram. Entre os destaques do álbum estão uma regravação – mais encorpada – de "Ainda Sem Nome" (do segundo EP dos gaúchos, de 2004) e a poderosa "Mais Um Dia de Cão", que havia sido liberada em fase de pré-mixagem para download no blog Popload, de Lúcio Ribeiro, e agora surge ainda mais forte com sua poesia juvenil movida a guitarradas. Desta vez, não vai ser estranho se esse disco aparecer em diversas listas de melhores do ano...
(* Marcelo Costa é editor do site Scream & Yell, onde foi originalmente publicada a resenha acima.)

Superguidis - A Amarga Sinfonia do Superstar (2007)
1. Por Entre as Mãos
2. Mais do que Isso
3. A Exclamação
4. Parte Boa
5. Mais Um Dia de Cão
6. O Cheiro de Óleo
7. Ainda Sem Nome
8. Os Erros que Ainda Irei Cometer
9. Nunca Vou Saber
10. Apenas Leia
11. 6 Anos / Riffs
Baixe o álbum completo no TramaVirtual.

Agradecimentos e créditos: Senhor F, Scream & Yell e IndieNation

Sites: Site OficialMySpaceTramaVirtual

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