Mombojó - Toca Brasil Nadadenovo (Instituto Itaú Cultural)

A passagem da banda pernambucana Mombojó pelo palco do Itaú Cultural em 2004 foi lançada em DVD pela série Toca Brasil - Itaú Cultural. Revelação em Pernambuco e um dos destaques da programação musical da instituição naquele ano, o grupo trilha um caminho de melodias, ritmos e tendências diversas. O DVD mostra as principais músicas do primeiro álbum da banda e é dividido em apresentação, show, making of e músicas, e conta com opções de legenda em inglês e francês na parte das entrevistas.

Tracklist do áudio do DVD Ao Vivo Itaú Cultural, SP, 2004:
1. Discurso Burocrático
2. A Missa
3. Merda
4. Adelaide
5. Anarquia
6. Estático
7. Cabidela
8. Absorva
9. O Céu, o Sol e o Mar
10. Juízo Final
11. Splash Shine
12. Faaca
13. Baú
14. La Bundaracha
15. Singular
16. Duas Cores
17. Nem Parece
18. Amor de Muito
19. Ser Você
20. Deixe-se Acreditar

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Site: mombojo.com.br

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Mombojó - Homem-Espuma (2006)

Direto aos fatos e sem maiores embromações: Homem-Espuma, segundo disco do Mombojó, não aceita meio-termo. Ou seja, será amado e odiado na mesma intensidade. É o tipo de obra que não deixa lugar para se pendurar em cima do muro. Por quê? Talvez porque o Mombojó, precocemente, tenha de fato assimilado o clichê do amadurecimento musical. Só que no caso deles é surpreendente. A música que se ouve nas 14 faixas do novo trabalho mostra uma maturidade absurda se for levada em conta a idade deles.

Homem-Espuma supera Nadadenovo em vários aspectos: as canções estão mais complexas; mas mesmo assim não perdem a veia pop. As letras estão mais buriladas, trabalhadas. A canção título sintetiza muito bem tal fenômeno: guitarra suingada, sopros na medida e cordas ao fundo, tudo permeado por um teclado bem Jovem-Guarda. Mas o mais bacana de tudo é que o Mombojó conseguiu o que muita banda ainda se esforça em alcançar: a tal da identidade. Vai ter gente dizendo que eles estão parecidos com Los Hermanos, com Mundo Livre S/A ou com uma banda que mistura jazz com chorinho. Besteira. O Mombojó se parece com o Mombojó. E mais nada.

Com produção impecável de Ganjaman e Lúcio Maia, Homem-Espuma já surge como favorito aos principais prêmios de melhores do ano. Tom Zé recria seu clássico “Tô” em duelo vocal com Felipe S. na ótima “Realismo Convincente”. Felipe também não faz feio ao lado de Céu em “Tempo de Carne e Osso”, balada psicodélica comovente. Aliás, uma das características do disco é que ele parece englobar várias canções em uma só música, devido ao sistemático uso de mudança de andamento. Sabendo dosar bem a tecnologia, sem torná-la enfadonha ou desnecessária, a banda achou seu caminho no equilíbrio entre o passado e o futuro. O uso constante de flauta e demais instrumentos de sopro atinam para uma direção que já era timidamente explorada no disco anterior. Ou seja, Homem-Espuma mergulha de cabeça na piscina do inusitado, sem ligar para os riscos ou conseqüências. Só eles seriam capazes de gravar algo como “Swinga” sem cair no ridículo. Ouça. E depois ame ou odeie. (Texto: Homem-Espuma rejeita meio-termo... de 13/05/2006 por Hugo Montarroyos)

MP3's:
1. O Mais Vendido
2. Novo Prazer
3. Homem-Espuma
4. Realismo Convincente
5. Tempo de Carne e Osso
6. Swinga
7. Saborosa
8. Fatalmente
9. Ví­deo-Game
10. Pára-Quedas
11. Desencanto
12. Singular
13. Vazio e Momento
14. Minar

[Download do álbum completo em arquivo .zip]

Site: mombojo.com.br

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Mombojó - Nadadenovo (2004)

Em minhas indagações particulares, sempre fiz algumas associações bobas, do tipo: Paulinho da Viola é o Neil Young brasileiro, assim como Chico Buarque seria o Bob Dylan, etc. Não que estas comparações tolinhas tenham qualquer fundamento na música, já que não pode existir nada tão distante quanto o samba de Paulinho e o rock de Neil Young. Pois bem. Seguindo esta mesma linha (a comparação é fundamentada, sim, no posicionamento do artista em relação à música do seu país de origem), sempre considerei o Mundo Livre SA como o Radiohead brasileiro. Comprando o disco do Mombojó através da revista Outracoisa, porém, mudei de opinião. O Mundo Livre pode até continuar sendo o Radiohead da fase “OK Computer”. “Kid A” para frente, entretanto, agora está ao encargo desta nova ave de rapina da tão fértil ninhada recifense.

Nadadenovo” é um disco encantador. A vanguarda, a mistura de ritmos, a busca insistente por novos padrões sonoros, exatamente como encontramos em todos os discos da banda de Thom Yorke, se revelam aqui com uma autonomia dificilmente vista em álbuns de estréia. São flautas, escaletas, teclados de todos os tipos, scratches, sintetizadores, tudo confluindo num som sem retorno, que se desenvolve até onde a música deseja chegar: o Mombojó respeita a vontade de sua música. Não existem refrões, as soluções apresentadas aos conflitos musicais não são nem fáceis nem imediatas. Seria um disco de rock progressivo, se isso não fosse xingamento hoje em dia. Por isso mesmo, repetindo a façanha dos irmãos do Mundo Livre em seu último disco, “Nadadenovo” não é nada fácil. Depois de uma ou duas audições, a sensação de que nada se absorveu diante de tamanha complexidade pode vir à tona. Não se preocupe. Ouça mais vezes, e deixe a música fluir, que é esse mesmo o objetivo de um disco como esse. “Nadadenovo” nasceu para não ser fácil.

Voltando-me agora para uma análise mais categórica, o Mombojó mistura, em sua deliciosa salada, música brasileira (bossa nova, samba-canção, samba esquema novo), trip hop (Morcheeba, Portishead, Moloko), dub... e rock and roll, é claro. Não são todas as músicas que confirmam o padrão de engenhosidade do disco, é claro. Mas as boas compensam as faixas transitórias. “Deixe-se acreditar” abre com um palavreado de surf music e se complementa com guitarras sonicyouthianas, para depois vir em voz e flauta, sempre em progressão, ao som de teclados oníricos. A música é um sonho. “Esse é o reino da alegria / Nada pode acontecer, não tema”, canta o vocalista Felipe. Já “Discurso burocrático” se aprofunda no trip-hop; é quase um rap – como não se vê em praias brasileiras. “O céu, o sol e o mar”, talvez a melhor faixa do disco, se inicia com um reggae carregado e depois se desenvolve até um quase-refrão cheio de melodia, desaguando num inspirado solo de guitarra. É tocante. “Adelaide” encarna a porção sixties-jovemguarda. Lembra Cardigans só que – e isso é ducaralho – melhor.

Nem todo o “Nadadenovo” tem o padrão das músicas elogiadas acima, mas isso não faz grande diferença. As faixas mais dispensáveis, menos salgadas e com arranjos menos inspirados (como “Nem parece” ou “merda”) servem como pontes para os belos e complexos números principais. O disco é uma música só, e se mantém firme até o fim, como comprovam músicas que reabilitam Cartola (“Splash shine”) e Jorge Ben (“Faaca”). Não sei se ainda existe aquilo que antes chamavam de manguebit, mas existindo ou não, está aí diante de nós o seu terceiro vértice. É um acontecimento para o rock brasileiro. (* texto por: Ciro I. Marcondes)

MP3's:
1. Cabidela
2. Deixe-se acreditar
3. Nem parece
4. Discurso burocrático
5. A missa
6. Absorva
7. O céu, o sol e o mar
8. Adelaide
9. Duas cores
10. Estático
11. Merda
12. Splash shine
13. Faaca
14. Baú
15. Container

[Download do álbum completo em arquivo .zip]

Site: mombojo.com.br

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